Ex-delegada é condenada a mais de 20 anos de reclusão

23 abr 2013 | 19:53 |
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grande-ex-delegada_julgamento_230413.jpgA ex-delegada de polícia civil Ana Isabel Ferreira Teixeira foi condenada a mais de 20 anos de reclusão, pena acumulada pelo assassinato do agente civil Júlio César Teixeira, que era marido da acusada, e também por posse ilegal de arma. Pela morte do marido, a ex-delegada foi condenada à pena de reclusão por 19 anos, mas foi beneficiada por ter confessado o crime e acabou tendo a pena reduzida para 18 anos e seis meses de reclusão.

 

Quanto ao crime de posse ilegal de arma de uso permitido, a ex-delegada foi condenada a dois anos e seis meses de reclusão e também foi beneficiada, tendo pena atenuada em seis meses, ficando a pena definitiva fixada em dois anos.

O julgamento da ex-delegada aconteceu durante a segunda-feira, 22, e a sentença foi anunciada por volta das 23 horas pela juíza Olga Barreto, da 5ª Vara Criminal, que conduziu o júri popular, após colher os votos do corpo de jurados.

O advogado Evaldo Campos, que esteve à frente da defesa, considera o crime como fatalidade. Ao contrário da tese do Ministério Público, o advogado observou que a ex-delegada não teve o intuito de matar o marido. O advogado observou que o alvo da ré seria os pássaros que estavam presos em uma gaiola, o que seria o grande motivo das desavenças ocorridas entre o casal.

 

Entenda o caso:

 

grande-plateia_julgamento_230413.jpgJúlio César, que era lotado na Delegacia Especial de Proteção a Criança e ao Adolescente (Depca), foi morto na casa do casal localizada na rua Siriri, bairro Getúlio Vargas. Ela foi a julgamento após quatro adiamentos. O julgamento é presidido pela juíza Olga Silva Barreto da 5ª Vara Criminal. Ana Isabel foi presa na semana seguinte ao crime e passou cerca de sete meses detida no Presidio Militar, mas ganhou a liberdade após um Habeas Corpus concedido pelo Tribunal de Justiça (TJ). Atualmente mora na cidade de Feira de Santana (BA).

Segundo o promotor de Justiça Rogério Ferreira, que atua no julgamento ao lado do promotor Deijaniro Jonas, os autos do processo apontaram que no dia do crime a vítima e a acusada teriam ingerido bebida alcoólica em locais distintos. Em seguida, ela teria passado no local onde o marido estava e seguiram junto com os dois filhos para casa. No trajeto, Júlio César teria reclamado por que a mulher teria levado os filhos para um bar na orla de Atalaia. “Este seria o motivo inicial para uma eventual discussão”, disse Ferreira.

Ferreira apontou que a discussão cresceu ao ponto da acusada querer quebrar as gaiolas de passarinhos da vítima. Como os ânimos se acirraram, ela passou a quebrá-las. “O inconformismo aumentou, mas ele não partiu para agredir a mulher. Ao contrário, ligou para o irmão da acusada, pedindo para que intercedesse no momento para que acabasse com aquele comportamento hostil”, sustentou o promotor.

“A acusada vai até um espaço da casa, apanha a arma, retorna ao local onde a vítima se encontrava e efetua o disparo. Ela disse que não tinha intenção de matar, que a casa estava escura, que apenas teve um esbarrão com a vítima, porque não conseguiu ver a vítima. Por várias razões isso não poderia ter acontecido de forma acidental e sim de forma intencional”, salientou Ferreira. Para o promotor, o argumento de que o tiro foi acidental não é sustentado, já que a arma, uma pistola, não dispara acidentalmente por possuir manejos para o destravamento, diferente de um revólver.

 

Defesa

Para o advogado José Claudio dos Santos, um dos quatro da defesa de Ana Isabel, o objetivo foi mostrar no processo que não houve intenção de matar. Ele também criticou o trabalho pericial no dia do crime. “A pericia é muito fraca. O Estado não dar condições aos peritos.

Não houve nem pericia. Houve para saber se a arma havia sido disparada recentemente. Não se fez teste na arma nem para saber se ele podia ser objeto de um acidente nas condições que foram narradas pela ré”, argumentou.

José Claudio sustentou que o tiro foi involuntário. “Todo tiro acidental é involuntário, mas nem todo tiro voluntário é acidental. E por não ser acidental não quer dizer que o agente que disparou possa ser responsabilizado criminalmente, em especial em crime doloso”, declarou.

 

 

Testemunha

A primeira testemunha ouvida no julgamento foi a pedagoga Damaris Silva Ferraz, vizinha do casal. Ela narrou que tomava banho quando ouviu Júlio e Ana chegando em casa. “Já chegaram da rua discutindo”, lembrou. Segundo ela, se ouviu uma discussão, em seguida o barulho de objetos caindo no chão. “Ele dizia: ‘Não quebre, não quebre!’”, disse a testemunha.

Damaris falou à juíza que, em determinado momento da discussão, Júlio César fez uma ligação para uma pessoa identificada como Anselmo, que seria irmão de Ana Isabel, dizendo que era para ele ir até a casa no intuito de acalmar a acusada. A testemunha disse que momentos depois ouviu um disparo. Assustada, se abaixou dentro de casa temendo que fosse um tiroteio. Ela contou ainda que após o tiro houve um silêncio, para em seguida, ouvir os choros das crianças, uma delas, de acordo com a vizinha, já chorava durante a discussão do casal.

“Ela dizia: ‘César fale comigo! Fale comigo!’”, narrou a testemunha, sobre o que ela teria ouvido no dia do crime. Damaris disse que Ana Isabel não tinha muita paciência no cuidado com os filhos, o que gerava reclamação por parte do marido.

 

Por estar respondendo em liberdade, ela vai continuar livre até julgamento do recurso interposto pela defesa.

 

Por Cássia Santana

Portal Infonet

/JornaldaCidade.Net

 

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